29 Setembro 2009

Não se escreve há nem se sabe quanto tempo, e quando se escreve é de outros lados que vêm as palavras:


"Onde estás? - 01", por alguém que procura.
Descaradamente retirado do Shiuuuu...


"Não te procurei sempre. Nem sequer pensava na tua existência. E mesmo agora, não te procuro. Espero-te. Não que acredite em pessoas perfeitas. Mas acredito no encaixe. E no quanto alguém (tu) podes encaixar em mim.
Por vezes, dou por mim a pensar-te em determinadas momentos. Onde estás? Com quem estás? Quando virás? O que de certa forma, não deixa de ser ridículo.
Mas o mais estranho, é que se calhar já me cruzei contigo. Mas nem sempre se consegue ver, é certo.
Não sei como sei, mas és tão forte ou mais do que eu. Cheiras a casa, tens uns braços ternos que me aconchegam e um olhar carinhoso que me parte o coração. Tens um sorriso aberto, transparente e envergonhado. Coras facilmente. És tímida. Trapalhona. Rabugenta. E dorminhoca.
Sabes estar em silêncio. Sabes dar espaço. E entendes que eu preciso de conquistar o mundo. Entendes que não consigo estar sempre presente e que por vezes tenho de te amar em ausência. Compreendes que não sou sempre boa pessoa. Mas fazes-me querer ser melhor.
Gostas de dançar comigo entre quatro paredes. E fazer amor contigo faz com que tudo tenha o tom de slow motion. És mais preguiçosa do que eu. Não tens grande paciência para compras. És prática. Objectiva. Frontal. E indomável. Tens uma enorme força interior. És irrequieta. Ponderada. Madura. Teimosa. Gostas de ler e de fazer tricôt. Preferes andar descalça do que usar sapatos de salto alto.
E és...simplesmente adorável. De uma forma inexplicável."



Assim me dera eu ser...

26 Junho 2009

Este blog está em pause por tempo indeterminado.
Pelo amor de Deus, eu com um lado fofo que se aguente muito tempo? I don't think so.

10 Maio 2009

Os meus avós refilavam bastante um com o outro.
Zangavam-se às vezes.
Tinham aquela teimosia um com o outro de quem vive junto quase 50 anos.
Chateavam-se, um fazia coisas de que o outro não gostava e vice-versa; podiam até ter zangas a sério com direito a birras e a gritaria.

Estranho seria viverem tanto tempo juntos e não se chatearem algumas vezes.
Sou da opinião de que quando não há chatices nenhumas como se tudo fosse um mar de rosas é mau sinal; é sinal de que já ninguém se importa.

Os meus avós chateavam-se algumas vezes. Mas resolviam sempre as suas divergências.
E nunca, nunca iam dormir chateados.

Quando eu for grande quero ser assim.

05 Maio 2009

Não saberia não te ter.


"Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti..."

Florbela Espanca

16 Janeiro 2009

One is too many and a hundred ain't enough.

Há coisas que sabem melhor quando surgem, e que surgem assim, como fumo que entra sem avisar por baixo da porta e se entranha e nos consome silenciosamente. Acho que é isso que queria procurar quando te encontrei; algo que me consumisse sem me queimar.
Há coisas que surgem assim, como disse, que aparecem de mansinho e se vão transformando e amadurecendo. Mudam. E que ao se transformarem nos transformam também. Por vezes para melhor, por vezes para pior. Avanços e recuos que nem damos conta, de tão absorvidos que estamos nessa consumição.
Há coisas, dessas que crescem com o tempo, que só encontramos sem procurar, e que, por vezes, só depois de perdidas nos dão conta do valor que tinham. Não adianta deixar migalhas no bom caminho, dificilmente conseguimos voltar atrás; cabeça erguida, mãos dadas e olhos para a frente.

São essas coisas – ele há coisas, pois há que eu sei – que nos fazem assim, que nos conseguem surpreender quando já houve tempo para todas as surpresas.

E que quando aparentam vir de mãos vazias apenas vêm cheias de espaço para que as possamos preencher.

26 Dezembro 2008

Memory Lane




Conheço uma rua – uma rua sem fim
Atapetada de folhas e por árvores ladeada.
Mesmo no centro da cidade agitada
Uma floresta de Outono persiste assim.

Sei de uma rua – conheço bem esse lugar
Onde se procuram respostas e conselhos
Onde se mostram os caminhos certos
A quem partiu e não sabe onde chegar.

Conheço uma rua – também deves conhecer
Por onde vagueiam memórias
E se podem ouvir histórias
De vidas que não se chegaram a viver.

Conheço uma rua – essa rua sem fim
Onde deambulam as almas – sós ou acompanhadas,
Onde se consomem as horas vagas,
Onde vagueias tu sem mim.
Se parares por um momento
– Só preciso de um pouco de tempo
Para te encontrar – sei que estás aqui.

Pára um segundo para que te alcance.

27 Novembro 2008

Diz quem sabe:


"Não te quero senão porque te quero
e de querer-te a não querer-te chego
e de esperar-te quando não te espero
passa meu coração do frio ao fogo."

Pablo Neruda

(recomendado pela Catarina há um tempo atrás)

24 Novembro 2008

"Quis-te tanto que gostei de mim"

Vi-te na rua e quis-te.
Não que nunca te tivesse visto; não que não te quisesse antes; não que te visse de forma diferente.
Apenas ao ver-te, quis-te. Assim, simples. Um querer mais que bem-querer.
Inexplicável, mas simples.

Quis-te; o meu querer quis o teu querer, e eu quis que me quisesses assim.

Olhei-te, quis-te; foi natural, foi básico, foi evidente.
Quis procurar em ti até te encontrar, tu que eu queria tanto, no meio de roupas e conversas e noites sem dormir.

Quis-te tanto que senti falta de ti, mesmo estando ao teu lado.

Quis-te, pois que nada mais quero; quando te quero assim não há nada mais, não há espaço para querer além de nós.

19 Novembro 2008

Transcendência - são outros que me ocupam/a existência

É outro palco, outra história, outras vozes que se fazem ouvir, outras palavras que se escapam pelos dedos. Outra pessoa qualquer.

São desejos e desencontros de outro alguém.
São desabafos e pensamentos e músicas. De outrem.
Um ele, uma ela.
É a rapariga da estação, o velhote do jardim, o homem do café.
São outras pessoas. São outras vidas.
São pedaços seus.

São outros.
Que vivem nela e no que escreve.

São outros.

Serão?



foto minha. in www.olhares.com/Joanita09


“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive”
Ricardo Reis

16 Novembro 2008

Não devia ter-te deixado partir.

Quando decidimos parar de tentar pareceu-me a coisa certa a fazer.
Já não éramos os mesmos. Os dias já passavam bem sem a tua presença. Já não me ligavas de madrugada para me dar um beijo e me fazer rir. Eu já não te mostrava o céu e o mundo.
Pareceu-me.
Pareceu-nos.
Pensámos que não era justo continuar por hábito.
Pensámos ser hábito, já não amor. Pensámos ser necessidade, já não paixão.
Pareceu-nos errado prendermo-nos a algo que já não encontrávamos.
Era a coisa certa a fazer.
E eu nunca me arrependi tanto.

Hoje vejo como estava enganado.
E não podia estar mais arrependido. De te ter deixado ir, assim.
É como se te tivesse mostrado a porta de saída.
E tu saíste.
E quando partiste despedaçaste-me.
Levaste contigo partes de mim que me fazem falta para poder respirar.

Descobri que o que nos fazia falta ainda lá estava.
Que era só preciso um empurrãozinho para nos darmos conta.
Será que deste conta? Depois de nos termos empurrado para longe um do outro…
Será que também te arrependeste?
Será que viste como eu o quão errados estávamos?
Será que viste que afinal ainda somos os mesmos?
Que só nos tínhamos esquecido por um bocado?

Não sei se reparaste.
Não voltaste para me dizer.

Tentei esquecer-te. Passar à frente.
Tentei admitir que pudesses mesmo pensar que tinhas tomado a decisão certa. Tentei.
Não consegui. Fiquei só.
Depois procurei-te.
Não te encontrava.
Procurei-te em todas as mulheres.
Um pouco de ti, nem que fosse.
Um mexer no cabelo. Um olhar. Um toque. Um sorriso.
Difícil de igualar.
Eras tu com quem eu estava quando estava com elas.

Será que é tarde?
Será que ainda pensas em mim?
Será que alguma vez paraste de pensar?

Disseste-me uma vez que havia muitos grãos de areia numa praia.
Vou procurar-te em cada praia onde for.


“’Cause when I am with him I am thinking of you
What would you do if you were the one who was spending the night
Oh I wish that I was looking into your eyes.”

Katy Perry – Thinking of you